Cardiologia Pediátrica

 

Especialidade autónoma em Portugal que se dedica ao diagnóstico e tratamento das doenças do coração desde o feto, à criança e, ainda, ao adolescente e ao adulto com cardiopatia congénita.

 

Recomendação para a prática de desporto em crianças e jovens

 

A prática de desporto tem grandes benefícios para a saúde de qualquer pessoa, promovendo uma maior capacidade física, melhor funcionamento de todos os sistemas orgânicos e melhor capacidade para lidar com situações de risco. Proporciona igualmente bem-estar físico e emocional e é um fator importante de integração social.

As crianças, adolescentes e jovens, pela vitalidade inerente à sua idade e nível de metabolismo e pela exigência em grupos sociais e de testar as suas capacidades, têm necessidade de praticar desporto regular.

O desporto de competição caracteriza-se por exigir um treino sistemático, pela competição com outros e pela existência de recompensas elevadas (materiais, emocionais e sociais) para o sucesso.

Os diferentes desportos podem ser caracterizados por vários fatores que são importantes para a escolha individual: carga dinâmica, carga estática, intensidade, duração, contato físico e tipo de metabolismo (aeróbico ou anaeróbico).

Além destes existem, outros fatores relacionados com as condições da prática do desporto que também deverão ser equacionados na recomendação individual: temperatura, humidade, altitude, nível de poluição (CO2 nos desportos motorizados), possibilidade de traumatismo (futebol, hóquei), riscos acrescidos em caso de síncope (natação), riscos de vida (automobilismo, montanhismo).

Em qualquer desporto de competição, mesmo os de menor exigência em termos físicos (bilhar, golfe, tiro) existe um componente de ansiedade muito acentuado com estimulação do sistema simpático e libertação de catecolaminas que pode ser perigoso com determinados doentes. Assim sendo, o risco faz parte do desporto de competição como faz parte da vida.

A avaliação de risco é feita com auxílio de exames complementares de diagnóstico como a Teleradiografia do Tórax, o Electrocardiograma e o Ecocardiograma / Doppler cor. Em casos de necessidade são efetuados outros exames como a monitorização ECG contínua de 24 horas (Holter) ou a Prova de Esforço que permitem avaliar de modo mais completo se a criança ou jovem pode ou não fazer desporto de competição.  

 

O QUE É UM SOPRO CARDÍACO?

 

Sopro é um som que se ausculta no tórax da criança com o estetoscópio. Este som é produzido pelo sangue à medida que atravessa o coração ou os vasos sanguíneos do corpo.

Sopro não é sinónimo de doença e pode ser encontrado em 50-70% das crianças saudáveis. Por isso, se auscultarem um sopro ao seu filho, não lhe estão a dizer que tem uma doença. No entanto, em algumas situações tal som pode estar associado a doenças do coração.

A grande maioria dos sopros cardíacos, por não estarem associadas a doenças cardíacas, são chamados de sopros inocentes. Estes sopros têm carácter benigno, sem sintomas, e não condicionam o crescimento e o desenvolvimento das crianças. São mais facilmente auscultados em situações de febre, choro ou esforço físico. Um sopro inocente não necessita de acompanhamento médico nem de tratamento, porque o coração é normal, e não implica alterações na atividade física do seu filho. Assim, após ter sido diagnosticado que o sopro é inocente, o seu filho tem alta da consulta de Cardiologia  Pediátrica.

Mais raramente, os sopros podem estar associados a doenças do coração. Nestes casos são sopros patológicos e relacionam-se com doenças do coração que podem ser congénitas (bebé nasce com a doença) ou adquiridas ao longo da vida. As crianças com doenças cardíacas necessitam de acompanhamento por Cardiologia Pediátrica, podendo necessitar ou não de tratamento (medicamentos, cateterismo cardíaco ou cirurgia).

 

ECOCARDIOGRAMA FETAL

 

Para que serve?

O Ecocardiograma Fetal permite definir se o coração está bem formado ou não. Somos capazes de detetar a maioria (mas não todas) das formas de cardiopatias estruturais graves. Podemos identificar anomalias nas cavidades cardíacas, nas válvulas e vasos que chegam e saem do coração (veias e artérias). Ocasionalmente, podemos detetar pequenas alterações que podem não causar problemas significativos no bebé após o nascimento. Podemos também diagnosticar e tratar precocemente alterações de frequência e ritmos cardíacos. Algumas alterações podem indicar a possibilidade de haver associação com problemas noutros órgãos, bem como alterações nos cromossomas, que podem indicar a necessidade de realizarem outros exames.

Que problemas cardíacos podem ser detetados?

Nem todos os problemas podem ser corretamente diagnosticados no feto, pelo que não podemos excluir por completo a presença de anomalias cardíacas no recém-nascido, mesmo que o Ecocardiograma seja, nesta fase, considerado normal.

A circulação no feto é diferente da circulação no recém-nascido. Durante a vida intra-uterina há 2 comunicações entre o lado direito e esquerdo do coração (foramen ovale e canal arterial) que têm que estar abertas para o normal desenvolvimento do coração e vasos e que geralmente encerram espontâneamente após o parto. Em alguns bebés isto pode não acontecer naturalmente e o bebé vir a necessitar de seguimento na Cardiologia Pediátrica. O não encerramento destas estruturas após o parto é impossível de prever neste exame, visto que todos os fetos normais as têm abertas in utero. Alguns estreitamentos ligeiros das válvulas e vasos podem ser progressivos à medida que a gravidez avança e por isso revelar-se apenas após o nascimento.

Repetição do exame

Por vezes é necessário repetir este exame, o que nem sempre significa que exista algum problema. Habitualmente repete-se o exame quando este é realizado pela primeira vez antes das 18 semanas de gravidez ou quando há dificuldades técnicas na avaliação de todas as estruturas ou se surgem novas dúvidas e/ou problemas do lado obstétrico.

T.: +351 261 339 650